De Volta ao Palco da Vida
09, Jan. 2026
“Crônica memorialística: um relato pessoal sobre memória, reencontro e pertencimento."
Uma foto perdida no tempo trouxe de volta histórias, pessoas e lembranças de mais de 50 anos.
PARTE I – A FOTO E A MEMÓRIA
O que dizer de uma foto? Pode dizer muita coisa, ou não dizer nada.
Era
1972, o ano em que essa foto foi tirada.
Naquele tempo, fotografar era algo raro, reservado a datas muito especiais. Não
tirávamos fotos para registrar, mas para guardar. O mais importante era viver
o momento, a foto era só uma consequência.
Hoje, muitas vezes, o mais
importante parece ser registrar, filmar, provar que estivemos ali, e não
simplesmente viver o momento.
Os filmes vinham com 12, 24 ou 36 poses. E tudo era caro: comprar o filme, revelar, ter uma máquina... nada simples. Não existia “tirar dez e escolher uma”. Era uma tentativa só, e o resultado um mistério.
Quando o rolo era revelado, quase sempre tinha alguém cortado, outra tremida, olhos fechados… e não havia o que fazer.
E é aqui que começa a história desta foto. Ela tem um significado enorme para mim.
Eu sentia muita falta de ter uma lembrança daquele tempo de colégio, aquele período mágico e cheio de novidades. E eu não tinha nada que realmente me conectasse àquele momento tão especial. Essa foto veio como um presente, ainda mais por ter sido tirada no nosso último período, quando já sabíamos que muitos talvez jamais se encontrassem novamente.
Como tudo começou
Antes de falar da minha foto, preciso contar
sobre outra, parecida, que não é minha, mas que acabou sendo o gatilho para
tudo isso.
Um
dia, um amigo compartilhou uma foto antiga de um festival de teatro do colégio.
Na hora, lembrei que eu também havia participado daquele mesmo festival, e que
nossa peça havia conquistado o
primeiro lugar na categoria comédia.
E, como em um sinal do destino, dias depois
minha irmã viu no Facebook uma postagem de um ex-colega, e lá estava ela. A
foto
Uma foto minha, com a turma do 1º Colegial, no palco. Nem acreditei.
Depois de 50 anos, ela simplesmente apareceu, bem no momento em que eu mais desejava encontrar qualquer lembrança daquela época. O que dizer? Fiquei surpresa de verdade.
Como isso aconteceu? A pessoa guardou essa foto por anos e resolveu postar exatamente
no momento em que eu estava querendo algo. Coincidência? Talvez. Mas, naquele
instante, senti que nada ali era por acaso.
Quando olho para essa imagem, vejo mais do que um instante congelado.
Vejo a história por trás, a simplicidade daquele tempo, o cheiro, as
vozes, as risadas ecoando pelos corredores.
É como abrir uma porta para um pedaço da minha vida que continua vivo, mesmo
que o mundo tenha mudado tanto.
Essa
foto me lembra quem eu fui, quem continua comigo e o que ficou pelo caminho.
É um retrato de um tempo que não volta, mas que permanece em mim de um jeito
silencioso e bonito.
Sabe
alguém muito feliz com uma foto? Sim, sou eu.
Ela me fez reviver memórias antigas… e, sem que eu percebesse, abriu portas
para acontecimentos muito especiais que ainda estavam por vir.
Porque aquela imagem não ficou presa ao passado.
Ela continuou agindo, silenciosa, como só as boas lembranças sabem fazer.
E você,
também tem uma foto que guarda histórias esperando para serem revisitadas?
A
foto cumpriu seu papel: despertou a memória.
O que eu ainda não sabia é que ela não vinha sozinha.
Aquela imagem antiga não queria apenas ser lembrada, queria provocar movimento.
Como se dissesse, em silêncio: “Agora que você se lembrou, o que vai fazer
com isso?”
Eu
ainda não tinha a resposta.
Mas a vida, como sempre, já estava preparando o próximo ato...
Sueli Alves é formada em Psicologia e Pós-Graduada em Gestão de Pessoas. Com quase 40 anos de vivência na área de Recursos Humanos, Recrutamento, Seleção e Treinamento, atuou em empresas de diversos portes e segmentos. Foi coordenadora do grupo UNIRH - União de Recursos Humanos, por vinte e quatro anos. É Diretora Administrativa/Financeira da AGERH.